Tão seu, tão meu...
Hoje, na primeira respirada que dei ao acordar, senti seu
perfume. Abri os olhos lentamente e pude ver as gotículas todas sorridentes, me
acenando levemente, me presenteando com seu cheiro, com SEU cheiro. Não sei
como terminará o dia de hoje, mas que o início dele já valeu a pena, ah valeu!
Do que eu não entendo
Hoje logo cedo despertei. Abri vagarosamente os olhos e percebi que o
dia mal tinha dado suas caras, decidi então fechar os olhos novamente e voltar
ao meu mundo dos sonhos. Nesse meio tempo me peguei pensando: se eu pudesse
escolher sonhar com você, como seria esse sonho? Fechei definitivamente os
olhos e fui sonhar.
Sob o controle de um rígido diretor a câmera da nossa cena nos tomava
por baixo. Vi nós dois caminhando descalços e por mais que eu fizesse força não
conseguia enxergar o chão embaixo, logo não sabia onde estávamos. Lentamente a
câmera subiu, vi então que minha calça estava dobrada até os joelhos e pude
enxergar a ponta de um sapato, que imaginei estar carregando nas mãos. Em uma
dualidade torturante e prazerosa a câmera se movia lentamente, subia e descia
bem pouco, como se acompanhasse os passos de quem ela capturava.
Quando a falta do chão começou a realmente me incomodar, ele clareou.
Nada mais clichê do que areia com um mar ao fundo. Decepcionei-me por um
segundo, somente por um. No segundo seguinte percebi que bastava eu querer que
poderia enxergar mais da cena. – Seria eu o diretor? – Pulei essa pergunta, estava
mais interessado no restante. Subi lentamente a câmera. Queria continuar
aproveitando cada pedacinho de imagem, cada quadradinho. De certo estaríamos de
mãos dadas, e realmente estávamos. O surpreendente naquela tomada era a leveza
com que as mãos se tocavam, pareciam já fazer parte uma da outra há tempos.
Fiquei receoso daquela não ser minha mão. Ou não ser a sua! Mas se aquilo era
um sonho, o meu sonho, as mãos seriam nossas. Dormindo sorri.
Eu queria mais, mais daquele sonho, mais daquelas mãos. Eis que o
rígido diretor novamente toma conta. – Ei, não era eu esse diretor? – Não obtive
resposta. A câmera vagarosamente se moveu a frente dos nossos passos. – Porque
ele estava errando a tomada daquele jeito? – A câmera ia e voltava, errava e
consertava... Demorei mas percebi que ele queria me mostrar algo, então minha
curiosidade foi a mil. Fiz força para enxergar o que eu queria mas não, dessa
vez eu não estava no comando.
Na vez seguinte em que a câmera se adiantou pude perceber uma
pequenina mancha branco-acinzentada, e como sempre fizera, aquele diretor ia me
mostrando bem aos poucos. A mancha foi aumentando, ainda que embaçada, e consegui
enxergar outro pedaço de mancha a certa distância lateral daquela. Foi então
que a cena parou. Ou melhor, paramos. Paramos de caminhar. E dessa vez com
maestria o diretor nos mostrou o motivo. As manchas foram clareando e enxerguei
então uma linda criança brincando com um cachorrinho. Ela sorria largamente,
demonstrando ao mundo toda a felicidade que aquele momento transmitia pra ela, sem receio algum.
A câmera não mostrou, mas tenho certeza que nos olhamos e sorrimos também.
Sem explicações, sem razões, sem final; a câmera lentamente desligou. Se
eu pudesse escolher, de certo meu sonho contigo não seria dessa forma. Se eu
pudesse escolher, de certo deixaria de sonhar um dos mais prazerosos sonhos que
já tive.
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