É uma partida de futebol e – como ela pediu – a bola está com
ela. Ele está novamente em campo, ali, se movimentando pra receber a bola em
boas condições. Ele está ali disponível pra receber e tocar pra ela novamente, tabelarem.
Mas nesse momento ela é a organizadora do jogo, a dona da bola; eles só farão o
gol juntos se ela quiser tabelar com ele. E se ela quiser, ela saberá como
fazer. Ela saberá como demonstrar a sua intenção de passe e vai se movimentar
pra receber a bola de volta; ela saberá demonstrar que ele é o jogador que ela
quer que seja o artilheiro.
Ele está novamente em campo, ali, se movimentando pra receber
a bola em boas condições. Mas pra receber a bola. Se ele se movimenta e não
recebe, a jogada não flui; e ele se cansa. Correr errado cansa mais. Bem mais. E
ele vai se cansar de jogar, e vai pedir pra sair, ou vai esperar o jogo acabar.
Não como da outra vez em que o final da partida ocorreu repentinamente e os jogadores
ainda sentiam que o jogo não havia acabado, dessa vez, se isso acontecer, o
jogo vai caminhar pro seu final automaticamente; os jogadores vão se demonstrar
cansados, só esperando o juiz apitar logo, conformados com o resultado da
partida, minados com o desfecho que isso teve.