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Anagrama

Vence! Valoriza! Soma! Fôrça! Corrige! Assina!
Eletriza! Edifica! Efetiva! Multiplica! Calma! Cála!
Simplifica! Sacramenta! Saboreia! Equaciona! Ioniza!
Testa! Tenta! Vamos! Engata! Oxida! Dói! Reage! Relaciona!
Idealiza! Impulsiona! Identifica! Compara! Emite! Altera! Libera!
Balanceia! Brilha! Denomina! Troca! Marca! Cresce! Engata!
Ultrapassa! Une! Fórma! Quebra! Descobre! Absorve!
Lidera! Levita! Prolonga! Usa! Estoca! Vem! Logo!
Ah! Não! Aguento! Mais!
Reset!

RES: RES:

É incrível o dom que você tem de me emocionar e como dia após dia você se supera. E é incrível também como as palavras sempre nos transmitiram tanta coisa, tanta energia. Ah, minha querida, há tanto tempo espero notícias suas.

É minha querida, o fogo está aí, para todos nós. Infelizmente não há como nos prepararmos para ele, nem sei se deveríamos nos preparar, mas ora ou outra ele vem, e pior, ora ou outra ele volta. Obrigado por me dizer que o fogo vem, mas milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Isso nos diz tanta coisa, não é?

Desculpe-me o duplo plágio, mas você é a princesa de um romance clássico-atual, me perdoem os literários. Enche-me de orgulho, um reles cavaleiro sonhador e que mal sabe escrever, ser retratado num romance da mocinha. Romance não, filosofias de mesa de bar, como ela mesma gosta de chamar e que NÓS tanto gostamos.

Ah minha princesa, como eu queria agora aquele chopp. Uma coca-cola ou um sorvete servem. Aliás, queria mesmo aquelas mãos dadas. Na verdade estamos de mãos dadas, não estamos? Há tanto tempo ando de mãos dadas contigo que quando não consigo senti-las me sinto vazio. Não some não minha querida, tuas mãos, tuas palavras, tudo em ti me faz falta. Desculpe-me pela melosidade, deve ser a saudade.

Queria eu ter parte da tua nobreza e conseguir escrever como tu, e te responder a altura. Talvez um dia possa te mandar uma carta formal, como um general ou talvez até como um rei, mas até lá, sou um reles cavaleiro e tu a encantadora princesa, digna de ser amada. Obrigado por tudo!

Aquela tarde de sol

Era uma tarde de sol a pino, como não se via há duas semanas, seguidas de chuva, apesar do forte calor que lá fazia durante todo o ano.

Lá estava João, sentado no extenso banco ladrilhado, lendo um livro como costumava fazer ora porque gostava ora para passar o tempo. Fazia força para ignorar o barulho ao redor e concentrar-se na leitura. Pensara em colocar um fone de ouvido, mas de certo isso lhe tiraria a concentração do livro, ou, ao menos, a dividiria entre o livro e a música.

E como nesses segundos que definitivamente mudam sua vida, por mero acaso João levanta a cabeça do livro e olha simplesmente para o nada, então ela surge.

No ápice da escada João vê surgir aquela que com certeza era a mulher mais linda que já vira na vida. Ela desce lentamente as escadas, mostrando toda sua beleza e sabendo dela, mas jamais de forma arrogante. Ela usava um vestido, desses que se usa no verão: branco, com estampas florais; uma sandália rasteira, brincos de ouro discretos e um fino colar com um pingente que não conseguira identificar. Seu vestido balançava de um lado ao outro à medida que descia os degraus.

Encantara-se por muito além do que os belos cabelos loiros naturais e despreocupados e aqueles olhos castanhos, que com certeza lhe dava mais beleza ante um par claro. Encantara-se pelos mais singelos gestos que a tal moça de vestido floral fazia. O modo como sorria, o modo como dava um passo após o outro descendo a escada, o modo como carregava a bolsa em um dos ombros e livros apoiados no peito pela outra mão.

João não consegue sequer piscar. Viaja anos em segundos. Imagina-a advogada, médica, dentista, arquiteta. Qualquer profissão lhe cairia bem. Longe nos pensamentos João ouve um grito:

-Thaís!

Ela responde. Thaís, esse era o nome daquela que conseguira desligar João completamente daquilo que se passava ao seu redor. João os imaginou namorados, caminhando de mãos dadas em uma praia, mas sua cidade não tinha praia, imaginou então numa bela praça, tentou fugir da lembrança de que sua cidade não tinha belas praças, imaginou por fim caminhando num shopping, numa calçada qualquer, que fosse de mãos dadas.

Em um passo foi ao dia em que a pediria em noivado jantando em um restaurante confortável com uma música agradável ao fundo, como ela sorriria naquele momento, se estaria surpresa, se gostara do anel que ele escolheu; pensou ainda nela vestida de véu e grinalda, abraçada a seu pai entrando na igreja para casarem; o casamento dos sonhos, como ela mesma dizia. Ela, perfeccionista como poucas se preocupara com os mínimos detalhes do casório. Não que João não se preocupasse, mas sabia que aquele era um dos momentos do qual ela sempre sonhou.

Imaginou como seriam seus filhos, seus dois filhos, como ela sempre disse que gostaria. Seria um casal ou dois do mesmo sexo? Seriam loiros como ela ou morenos como ele? Herdariam o perfeccionismo da mãe ou a serenidade do pai? Concluiu que pouco importaria isso.

E com a mesma rapidez que apareceu, Thaís vai embora. Com o belo vestido floral, como alguém que desfila nas nuvens ela termina de descer a escada, e após alguns passos sai da vista de João, que só conseguira ouvir o ‘tchau!’ dito pelo porteiro, de certo respondendo ao cumprimento que ela lhe dera em um tom baixo de voz, e a imagina indo embora.

João ficaria com aquela imagem guardada em sua mente durante anos, mas naquele momento teve uma certeza: seus caminhos se cruzariam novamente, e até lá, ele se prepararia para conquistá-la.

"Cem" sentido

A palavra é o vinho tinto de sangue que transborda na boca e engasga como uma faca que perfura e te rasga do esôfago ao intestino como os vermes asquerosos que lamberão teu corpo como as moscas e baratas que curarão tuas feridas como o chicote sado que marcará teu corpo como o chiclete de merda mascado causando tua cárie como os dentes afiados que mascam o chiclete de bosta como o dinheiro sujo e maldito que lambuza tua cara e teu rabo e te compra a alma e te come todo como o fogo que te arde aos poucos e te devora lentamente como um leproso como a cova cavada e fria que te aguarda e te acompanha louca pelo teu calor como a carne que a terra come e te reduz a nada sem piedade sem dinheiro sem palavra sem vinho.

Olho treinado

Incrível como as mulheres, apesar de muito observadoras e perceptivas, geralmente erram nos seus pré-julgamentos. Elas enxergam o que querem enxergar e acabam por valorizar demais aqueles que não valem tanto, e desvalorizam aqueles que deveras são valiosos.

Por isso não é raro encontrar mulheres esteticamente muito belas acompanhadas de homens que não o são tanto assim. Não que elas não gostem de homens bonitos, mas essas, provavelmente já fizeram julgamentos errados, pagaram por isso e mudaram sua maneira de enxergar, buscando ver aquilo que realmente as atrai e as faz bem; aquilo que vai muito além da beleza estética. Muito além.

No mínimo engraçado


Engraçado como hoje, em sua grande parte, as melhores referencias culturais estouraram no passado.

Engraçado como hoje, as músicas que mais tocam são as que menos dizem.

Engraçado como hoje, coloca-se uma dúzia de palavras e faz-se uma música. Sim, uma música. Não uma canção.

Engraçado como hoje os bons são os maus.

Os melhores caras são os que fazem mais mulheres sofrerem. Os que pegam mais. Que realidade deturpada, não?

Onde tudo é um jogo de interesses e o povo é tratado como gado, induzido a fazer isso, aquilo, e aquilo outro. Até marcarem seu corpo com brasa quente eles marcam, e você nem percebe.

Um protesto contra todo tipo de mídia brasileira, que em grande parte é corrompida agindo de acordo com interesses de uma minoria de caráter duvidoso e propagando uma alienação disfarçada à população brasileira.

Apenas mais um desabafo.