Ele nunca foi muito de acreditar nesse negócio de “destino”. Achava que as coisas aconteciam somente mediante alguma atitude que a provocasse. Talvez isso fosse parte do jeito metódico dele de ser, como uma vez uma pessoa lhe falou e ele não gostou. Sem querer parecer meloso, mas isso parece ter mudado quando ele a conheceu. Ou pelo menos algumas circunstâncias o levaram a pensar dessa forma. Um tempo depois, ele era quem estava tentando convencê-la desse tal de destino. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas! Foi especial e diferente de tudo que ele já tinha vivido. Parece pouco, mas era só o que ele conseguia raciocinar até ali. Estava ainda anestesiado.
Tentaram algumas vezes planejar um encontro e nunca conseguiram um consenso. Ele sugeriu um cinema, ela quis um parque. Ele sugeriu um café, ela quis um açaí. Ele sugeriu de noite, ela quis de dia. No meio dessa indecisão toda o destino se zangou e decidiu colocar a mão. Deu o jeito dele! E quando ele decide agir as coisas saem inesperadamente boas.
Lembrou que enquanto a beijava, parava alguns segundos para olhá-la. Procurava de início seus olhos, e quando os encontrava ficava ali parado. A anestesia começou a ser aplicada ali. Ela, acho que na tentativa de livrá-lo dessa anestesia, o mordia. Mas as mordidas faziam efeito contrário. Mal sabia ela que ele adorava mordidas.
Aos poucos ela se envolvia nos braços dele. Aos muitos ele era anestesiado. Os toques foram aumentando, assim como o calor também. Mas isso era mera coincidência, a cidade lá era muito quente, principalmente na madrugada.
Ele se pegava pensando se sua barba a estaria incomodando, se ela gostava de seus beijos e de seu jeito, ao mesmo tempo em que percebia como ela estremecia conforme ele navegava suas mãos no cabelo dela e obtinha as respostas que não precisava quando ela buscava seus beijos.
Inebriava-se com o cheiro dela, e por mais que o perfume dela fosse bom, era o cheiro da pele dela que o deixava mais anestesiado ainda. Percorria com calma o pescoço dela, beijando, e quando não resistia mais dava-lhe umas mordidas de leve. Percebeu também como ela ficava quando tocava-lhe na barriga ou mordia levemente sua orelha – antes dela confessar que um era por cócegas, o outro não.
Parece clichê, mas por algumas horas esqueceu-se do resto do mundo. Esqueceu-se do horário, esqueceu-se que tinha que trabalhar no dia seguinte, esqueceu-se de tudo.
O dia amanheceu e ele foi, mas com uma vontade enorme de ficar.