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Ao mestre, com carinho

Alguns são obrigados a se alimentarem de giz durante anos. Outros têm as articulações da mão comprometidas. Outros chegam em casa com o nível de estresse hiper elevado. Mas o fato é: o professor é uma das personalidades mais importantes da vida de qualquer pessoa.

Há poucos dias, infelizmente, um grande mestre nos deixou. Quem diria, hein, Tio Ed. Depois de três dias dentro de um camburão de São Paulo à Bahia preso por fazer reunião contra a Ditadura Militar. Depois te tantas e tantas batalhas como estudante, como lutador, como brasileiro, quebrando, finalmente, as amarras da ditadura dos homens egoístas e medíocres. Depois de um brilhantismo tão grande como o daqueles olhos azuis, dentro da sala de aula. Agora era a vez de vencer o mais tirano dos algozes, a morte.

Certa vez vi em um filme de guerra medieval um dos personagens dizendo que não há mérito algum em se morrer em batalha. Que você será mais um, lutando, por um rei, e morto. E, na situação em que foi colocada, eu concordo. Mas com certeza há uma alegria tremenda em viver pra ver que, de algum modo, aquela sua luta venceu. Você, com certeza, conseguiu isso Tio Ed. Ainda que não da maneira como sonhada, longe de conseguir um país perfeito, com a prostituição da palavra tantas vezes almejada, a tal da “de-mo-cra-ci-a”. Você é um vitorioso.

Talvez – muito provavelmente – o senhor não se lembre de mim. Mas eu jamais te esquecerei. Mestres como o senhor marcam a vida daqueles que enxergam a grandiosidade de uma aula sua.  Sei, que quando olhar para o céu, e uma estrela brilhar de azul, serão teus olhos brilhantes, olhando essa terra, olhando esse povo. Lembrarei de suas histórias, de seus exemplos e de sua doçura tímida disfarçada pela longa e emblemática barba.

A você Edmundo, meus mais sinceros agradecimentos. E minhas eternas saudades.

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